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Idiosynkrasias

Ler devagar

Há uma livraria algures. Tem livros e tem gente. Acima de tudo, tem gente. Tem uma placa que diz “ - não há serviço de mesa”, como se fosse preciso dizê-lo. Se tem livros e tem gente, e mais gente e mais livros ainda por cima, não precisamos de mais nada. Um amigo, talvez. Para partilhar o silêncio. Ah, mas o silêncio é aligeirado por um jazz aprumadíssimo, assim superlativo e sintético, muito arredondado, muito a convidar - à escrita, à leitura, ou melhor: aos dois. Tem ainda uma bonomia desatenta: é, talvez, a liberdade. Fica na cidade mas é como uma aldeia com cidade dentro, é a forma encontrada de declarar a voz forte e uníssona: “- comunidade e vida? - presente!” Imaginem uma cidade feliz: é aí que estou.
Não por acaso, tem também um cartaz que anuncia uma exposição: “exposição de caras de pau”. Por aqui, ninguém sabe o que são caras de pau: pensa-se que é contradição.